» quadragésimo nono

O meu amor – Rodrigo Saturnino – traiu-me.
Podia ter sido mais, mas não foi! Um ano e três meses foi o tempo que levou até o meu amor achar que podia deitar tudo a perder. E deitou mesmo!
Eu tive uma sensação estranha de que havia algo mais para além do motivo da nossa última discussão. Aliás, o outro – Pedro Pombo – estava presente no dia em que o caldo entornou. Mal sabia eu que depois de me vir embora é que a festa ia começar (era o aniversário do meu amor).
Depois desse dia, sabe-se lá o que ainda aconteceu…
Por isso, e em jeito de conclusão, agradeço o facto de se terem inventado os telemóveis. Não fosse esse bendito aparelho e eu ainda estaria na santa ignorância. Custa ver o nosso amor a trocar mensagens com outro, dizendo-lhe que o quer na sua cama. Mas custa ainda mais esta sensação de pequenez que ficou entranhada em mim desde a descoberta.
Podia ter sido mais, mas não foi!
Paro por aqui…tenho uma mensagem via facebook para enviar. O outro deve ficar contente com a novidade.

» quadragésimo quinto

“Dia Mundial da Doença de Alzheimer”


“A Assembleia Geral das Nações Unidas reconhece as doenças neurológicas, incluindo a Doença de Alzheimer, como importante causa de morbilidade, sendo absolutamente necessário possibilitar-se acesso igualitário a programas eficazes e a intervenções em cuidados de saúde.”


Sempre conheci o meu avô materno como um homem de muitos ofícios. Parar, para ele, era sinónimo de morrer.
Anos mais tarde ao vê-lo, com o seu olhar vazio, imóvel naquela cama adaptada, no interior daquele que sempre fora o seu quarto de dormir, não o reconheci. O homem que adorava os netos tinha-se perdido para sempre, algures no interior da sua mente. E eu, saudoso, nunca mais o encontrei!


imagem [aqui]
mais informação [aqui]

» quadragésimo quarto

Identificando-me como alguém que não gosta de mudanças. Porém, e como bom geminiano puro que sou, de tempos em tempos vejo-me embrulhado nelas e quando dou por mim estou no processo de mais uma “reciclagem de amigos”. Como consequência (até em titulo de análise para avaliação própria do que aconteceu), cheguei à seguinte afirmação:

Quando uma mulher heterossexual se interessa por um homem homossexual (não sabendo ela, no inicio, da orientação sexual deste) de uma forma que vai além da simples amizade, quando todos os pontos são colocados nos “i’s”, é ele quem mais sai prejudicado.

(deixa cá ver se eu consigo transformar em palavras o que me vai na cabeça…)

Imaginemos o caso em que uma mulher conhece um homem no local de trabalho. Ela, interessada em conhecê-lo melhor, cerca-o sempre que tem a oportunidade. Ele, homossexual, responde-lhe amigavelmente porque vê ali uma possível amizade. Somente isso, uma amizade. Ela desenvolve uma paixão e continua a cercá-lo. Ele não lhe responde da forma pretendida e ela começa a aperceber-se de que algo não está totalmente claro. Questiona-o, de forma ligeira, de forma a obter as respostas de que precisa (as mulheres são mestras nesta arte) até que ele, assume a sua orientação. Ela fica de queixo caído apesar de isso já lhe ter passado pela cabeça.
A seguir vem a fase dos “porquês” (como se de uma criança se tratasse) e surgem variadíssimas questões sobre o tema, de como funciona, se a homossexualidade nasce com a pessoa ou se é uma escolha. A mulher continua com esperanças de poder alterar alguma coisa mas não consegue. Questiona-se com perguntas do género “não será só uma fase?” ou “ele até é giro, porque é que não o vejo com outros homens?” e custa-lhe admitir que sim, ele é “maricas”!
O homem continua a tê-la como amiga, crente de que a sua orientação sexual foi aceite e de que a amizade de ambos, já forte, não sofrerá danos a partir daí. A amizade continua…

Passados alguns anos, o homem conhece outro e começam a namorar. Ele, que sempre havia estado presente para a mulher, começa a ter que dividir o tempo para conseguir agradar a gregos e troianos. Ela deixa de o ter só para ela, como até então, e descura na amizade. Ele, cansado de merdas, corta com a amizade.

Em casos como este, o papel do homem não é um tanto ou quanto ingrato? E na realidade, quem é que se afastou de quem?
Por outro lado, e porque há que desenvolver a capacidade de pensar sobre outras possibilidades, e se isto tudo (ou grande parte) não passar do resultado de uma certa perda de contacto com a realidade?

imagem [aqui]