» quadragésimo quarto

Identificando-me como alguém que não gosta de mudanças. Porém, e como bom geminiano puro que sou, de tempos em tempos vejo-me embrulhado nelas e quando dou por mim estou no processo de mais uma “reciclagem de amigos”. Como consequência (até em titulo de análise para avaliação própria do que aconteceu), cheguei à seguinte afirmação:

Quando uma mulher heterossexual se interessa por um homem homossexual (não sabendo ela, no inicio, da orientação sexual deste) de uma forma que vai além da simples amizade, quando todos os pontos são colocados nos “i’s”, é ele quem mais sai prejudicado.

(deixa cá ver se eu consigo transformar em palavras o que me vai na cabeça…)

Imaginemos o caso em que uma mulher conhece um homem no local de trabalho. Ela, interessada em conhecê-lo melhor, cerca-o sempre que tem a oportunidade. Ele, homossexual, responde-lhe amigavelmente porque vê ali uma possível amizade. Somente isso, uma amizade. Ela desenvolve uma paixão e continua a cercá-lo. Ele não lhe responde da forma pretendida e ela começa a aperceber-se de que algo não está totalmente claro. Questiona-o, de forma ligeira, de forma a obter as respostas de que precisa (as mulheres são mestras nesta arte) até que ele, assume a sua orientação. Ela fica de queixo caído apesar de isso já lhe ter passado pela cabeça.
A seguir vem a fase dos “porquês” (como se de uma criança se tratasse) e surgem variadíssimas questões sobre o tema, de como funciona, se a homossexualidade nasce com a pessoa ou se é uma escolha. A mulher continua com esperanças de poder alterar alguma coisa mas não consegue. Questiona-se com perguntas do género “não será só uma fase?” ou “ele até é giro, porque é que não o vejo com outros homens?” e custa-lhe admitir que sim, ele é “maricas”!
O homem continua a tê-la como amiga, crente de que a sua orientação sexual foi aceite e de que a amizade de ambos, já forte, não sofrerá danos a partir daí. A amizade continua…

Passados alguns anos, o homem conhece outro e começam a namorar. Ele, que sempre havia estado presente para a mulher, começa a ter que dividir o tempo para conseguir agradar a gregos e troianos. Ela deixa de o ter só para ela, como até então, e descura na amizade. Ele, cansado de merdas, corta com a amizade.

Em casos como este, o papel do homem não é um tanto ou quanto ingrato? E na realidade, quem é que se afastou de quem?
Por outro lado, e porque há que desenvolver a capacidade de pensar sobre outras possibilidades, e se isto tudo (ou grande parte) não passar do resultado de uma certa perda de contacto com a realidade?

imagem [aqui]

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9 responses to “» quadragésimo quarto

  1. imagino o seguinte cenário:

    a orientação sexual do gajo passa a ser usada como arma numa guerra que surge em jeito de castigo por não ter o homem se rendido aos encantos da fémea

    (fémea esta que se vê sem saber lidar com a rejeição porque sempre julgou que o facto de ser gaja era razão mais do que suficiente para que todos os gajos fizessem fila)

    e para todos os efeitos ela será sempre uma excelente mulher, o gajo é que era paneleiro.

  2. Epah eu acho que infelizmente isso acontece muito com os homens homossexuais. Conseguir lidar com a amiga hetero que está interessada em ti, é muuiiiiito complicado… Enfim revi-me imenso no texto…

  3. eu acho que a circunstância poderia ser transposta para um cenário em que há um amigo gay interessado em nós mas que não nos atrai.

    e ficamos amigos… e entretanto nós encontramos a nossa cara metade e o amigo fica com orgulho ferido e pergunta-se: o que tem o outro que eu não tenho? e começa a criar situações de afastamento, outras de algum constrangimento até que a distância se instala.

    a situação não é complicada por ser uma gaja hetero a fim de um gajo homo. é complicada por outras razões que ultrapassam a barreira da orientação sexual.

  4. não posso responder suas perguntas… eu realmente não as entendi. agora, eu não concordo q o homem deveria afastar-se dela, na verdade, acredito eu, q este homem ai nunca agiu realmente deixando claro q qria apenas a amizade dela. ele provavelmente alimentou pq os sentimentos dela massageavam o ego dele, se ele tivesse podado a situação, mostrando a ela q eles eram apenas amigos, esta situação nunca chegaria a esse ponto. na minha opinião ele é o único responsável…

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