» quinquagésimo nono

Pouco passava das 10H00 e já estava no centro comercial. O motivo: trocar as botas compradas há uma semana atrás (usadas apenas 2 vezes e já com defeito naquela que calça o pé direito).
Entro na loja com as botas arrumadas dentro da caixa, por sua vez dentro do saco original. Na mão o talão de compra intacto e em muito bom estado. Ninguém a não ser eu e a funcionária.
Conversa vai, conversa vem, e a sujeita (com bonitos olhos verdes) não me quer trocar as botas por umas novas.
– Já estão usadas – acrescenta – vamos ter que as mandar para a marca para ver se têm arranjo e só se não tiverem é que lhe damos umas novas. Vai demorar, pelo menos, 2 semanas…
Bufei, não valia a pena o bate boca.
– Onde é que eu posso demonstrar a minha insatisfação? – que é como quem diz “dá-me cá o livro de reclamações que eu ainda não vi nenhum nas minhas mãos e estou mortinho para registar a minha 1ª”.
A funcionária, tenrinha, tremeu. Fez-me enganar no preenchimento da reclamação e balbuciava palavras de vez em quando.
– A minha gerente está quase a chegar…
Perguntei se fazia alguma diferença no facto de tratar da situação com a gerente mas a resposta não foi positiva. Parecia não haver maneira de eu levar umas botas novas comigo. Se assim era, a reclamação ficava feita. Pergunto o nome da funcionária. Responde-me apenas “Célia”.
– Porra, nem o nome completo és capaz de me dar – pensei.
Acabou por me dar também o sobrenome, depois de lho pedir. A rapariga nem o talão de compra me confirmou (disse-lho depois da reclamação já registada e de ter a copia guardada no meu bolso).
Saí da loja sem o que queria, já quase que conformado com o tempo que ainda ía ficar sem as botas.

Meia hora depois liga-me a gerente.
– Esta situação podia ter sido facilmente resolvida. A minha funcionária não podia efectivamente fazer nada mas se tivesse esperado por mim como ela lhe disse, eu teria resolvido a situação!
– Olha-me esta cabra! – pensei – então mas eu perguntei-lhe se havia alguma diferença entre tratar da questão com ela ou esperar por si. Ela respondeu-me que não. E se ela tinha dúvidas, porque é que não lhe ligou?
A tipa continua…
– E porque é que não lhe pediu para me ligar?
Bem, vejam só o gabarito da tipa!
– Ouça lá uma coisa, eu perguntei à sua funcionária, ela não me soube responder, logo não sou eu que vou ensinar o trabalho dela…
A conversa prolonga-se mais do que necessário mas chega ao ponto que eu quero.
– Pode vir buscar umas botas novas. Aconselho é a mudar de artigo porque não garantimos que não volte a ter defeito.
– Mas eu quero as mesmas botas.
– Mas olhe que…blá blá blá… – deixei de a ouvir.
– Eu quero as mesmas! Passo aí a partir das 20H00.

Ficou acordado.

Há noite passo por lá, atende-me um rapaz (e só por isso, pensei que fosse correr melhor) e … adivinhem?
Não havia botas para levantar porque eles não tinham o meu número!!!

Não, não voltei a reclamar, mas por uma unha negra.
Agora tenho de esperar até á próxima terça-feira.
Dizia-me o funcionário:
– Mas olhe que ela (a gerente) só tentou ajudar!
Fará se não o tivesse feito!!!
– Isto está a correr muito mal! – acrescentei, em jeito de ponto final.

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5 responses to “» quinquagésimo nono

  1. medo de adormecer e acordar com um par de botas amaldiçoado a olhar esquisitamente para mim.

    eu juro que não roguei praga nenhuma às tuas botas. juro!

  2. fui buscar hoje as botas.
    telefonaste-me a avisar que já as podia ir buscar? pois, nem eles…mas eu fui na mesma!
    muitas dúvidas…vamos lá ver como corre com este par “supostamente” novo!

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