» sexagésimo sétimo

Não era noite, nem a antítese desta.
O intermédio sobrepunha-se aos limites permitindo-lhe diambular incógnito por entre as ruas de Lisboa. Colocou a mochila ás costas e meio trôpego, pontapeteou as pedras da calçada até chegar a Manchester. Subir escadas era o que mais lhe custava.
Á porta, a criatura alada que o esperava, já sentada. Lembrou-se que havia outra porta onde isso já não acontecia.

Pediu permissão e atravessou para o outro lado.

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» sexagésimo sexto

Aquele tempo já não lhe cabe. Tornou-se desconforme nos últimos dias, e meses.
Ouviu-os conspirar ao seu lado, enquanto tentava disfarçar a acelerada corrida do seu sangue. O coração bombeava, sôfrego.
Percebeu que faziam perguntas a seu respeito. Fixou um ponto no ecrã enquanto fantasiava formas de lhes tirar o ar, e a vida. Riu-se sozinho e foi apanhado.
Sentia já um catarro malicioso a entranhar-se-lhe. Cada vez mais entranhado.
A cabeça já não distingue realidades e o cansaço toma-o, pouco a pouco.

Deseja-lhes mal.